Pensamentos

Fevereiro 26 2010

 

 

Um dia desses uma jovem perguntou para uma senhora, como eu me sentia sobre ser velha.   A senhora levou um susto,  porque não se via como uma velha.  Ao notar  a reação, a garota ficou embaraçada, mas a senhora explicou que era uma pergunta interessante.

Pensou e concluiu: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida, a pessoa que sempre quis ser. Oh, não meu corpo! Fico incrédula muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele,   os pneus rodeando o meu abdome,  através das grossas lentes dos meus óculos, o traseiro rotundo e os seios já caídos.


Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco , uma barriga mais lisa ou um bumbum mais durinho.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me  mais condescendente comigo mesma, menos crítica das minhas atitudes. Tornei-me amiga de mim mesma. Não  fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama.  

Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceira, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a  grande liberdade que vem com o envelhecimento.


 Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar. 

 Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente. Eles, também, se conseguirem, envelhecerão. 

Certo, ao longo dos anos meu coração sofreu muito.   Como não sofrer se você perde um grande amor, ou quando uma criança sofre? Mas corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão.

Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril e nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.

Sou abençoada por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer, e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto.

Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados. 

Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo. E ligar menos para o que os outros pensam. Eu não me questiono mais. Conquistei o direito de estar errada e não ter que dar explicações . 

Libertei-me!

Gosto da pessoa que me tornei. Não desperdiçarei meu tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupando com o que virá. .

E penso que nunca me sentirei só. Sou receptiva e carinhosa, e se amizades antigas teimam em partir  antes de mim, outras novas, assim como você, vêm a mim buscar o que terei sempre para dar enquanto viver: experiência e muito amor...

publicado por pensamentoslucena às 10:13

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