Pensamentos

Julho 18 2012

 

 

Diferentemente dos animais, nós dispomos de uma forma de expressar o que vai na  nossa alma: as palavras.

É óbvio que, sendo a emoção um fenômeno com importante  componente corporal, as palavras por si só não bastam para comunicá-las. Mas  certamente são auxiliares valiosos.

Mas, infelizmente, somos condicionados, desde cedo, a não falar sobre o que sentimos,  principalmente se esse sentimento for percebido como algo que nos inferioriza. Tudo pode estar minado por dentro, mas deve-se fazer todo o esforço do mundo para se  exibir uma
fachada de normalidade.

Confessar medos e fraquezas é visto como perigoso para o prestígio pessoal e pode  parecer um sinal de insegurança. Paradoxalmente, são justamente as pessoas mais  seguras e confiantes que têm menor receio de confessar seus temores e falhas. Uma  das mais antigas descobertas da humanidade indica que o ato de
confessar o que  sentimos é bom para o corpo e para a alma.

A tristeza compartilhada e a dor revelada diminuem as tensões geradas pela angústia e  pelas perdas. Mas a importância e o benefício de falar sobre os sentimentos não se  restringe apenas à dor. É necessário também externar e compartilhar as coisas boas.

Enfim, a questão é que a repressão das emoções – e de sua expressão verbal – não  pode ser seletiva; deve-se “pôr para fora” todos os sentimentos; falar o que realmente  se sente, reagir, sentir e externar
afeto  ou mágoa. Se a emoção não se libera,  agarra-se aos órgãos, perturbando seu funcionamento.

O desgosto que se pode exprimir por gemidos e lágrimas é rapidamente esquecido; já o  sofrimento
mudo remói incessantemente o coração e termina por abatê-lo.

Dr. Marco Aurélio Dias da Silva, no livro
"Quem ama não adoece"

publicado por pensamentoslucena às 12:42

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